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Emissões de gases do efeito estufa no Brasil têm maior queda em 16 anos, mas país ainda não deve cumprir sua meta climática

Emissões de gases do efeito estufa no Brasil têm maior queda em 16 anos, mas país ainda não deve cumprir sua meta climática

Por Brunno Lemos – Rádio Domm News | Meio Ambiente | 4 de novembro de 2025

 

O Brasil registrou em 2024 a maior redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) dos últimos 16 anos.
De acordo com dados do Observatório do Clima (OC), o país emitiu cerca de 2,145 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) — uma queda de 16,7% em relação a 2023, quando as emissões chegaram a 2,576 GtCO₂e.

Apesar do resultado expressivo, especialistas alertam que o país ainda não deve atingir sua meta climática de 2025, estabelecida no Acordo de Paris, e que será necessário manter esforços consistentes e de longo prazo para garantir a sustentabilidade da redução.

📉 Queda histórica puxada pela redução do desmatamento

A principal razão para o recuo nas emissões está na queda do desmatamento e nas mudanças no uso da terra, especialmente na Amazônia e no Cerrado.
Esses setores, que historicamente respondem por mais da metade das emissões brasileiras, apresentaram forte redução graças ao reforço na fiscalização ambiental, operações contra o garimpo ilegal e políticas de monitoramento florestal.

Segundo o relatório do Observatório do Clima, o setor de mudança de uso do solo caiu cerca de 23% em 2024, contribuindo de forma decisiva para o resultado nacional.

“O Brasil mostrou que, quando o Estado atua com seriedade e transparência, os resultados aparecem rapidamente”, afirmou Tasso Azevedo, coordenador técnico do Sistema de Estimativas de Emissões (SEEG).

🧮 Setores que ainda preocupam

Mesmo com a queda expressiva, o relatório aponta que outros setores ainda mantêm emissões elevadas — o que dificulta o cumprimento da meta nacional:

  • Agropecuária: responsável por quase 30% das emissões totais, continua crescendo em função do aumento do rebanho bovino e do uso intensivo de fertilizantes.

  • Energia: o setor apresentou estabilidade, mas com tendência de alta devido ao aumento no consumo de combustíveis fósseis para transporte e geração de energia.

  • Resíduos urbanos: a destinação inadequada de lixo e a falta de políticas municipais de reaproveitamento ainda são desafios.

“É uma boa notícia, mas não é hora de comemorar. É preciso transformar a queda momentânea em tendência permanente”, destacou Marina Marçal, coordenadora de clima e economia do OC.

🎯 Por que o Brasil ainda pode não cumprir sua meta

O Acordo de Paris prevê que o Brasil reduza suas emissões em 43% até 2025 (em relação aos níveis de 2005).
Mesmo com a melhora, as projeções indicam que o país ficará entre 7% e 10% acima da meta prevista, se não houver novos cortes em setores como energia e transporte.

A ausência de políticas nacionais robustas para eletrificação veicular e substituição de combustíveis fósseis é um dos principais gargalos.

“O desafio agora é consolidar a redução no desmatamento e expandir as ações para os setores produtivos e urbanos”, avaliou o pesquisador Carlos Rittl, ex-secretário executivo do Observatório do Clima.

🌍 O Brasil no contexto global

Com a queda registrada, o Brasil voltou a figurar entre os dez países que mais reduziram emissões em 2024 — um contraste positivo após anos de alta.
A notícia foi bem recebida na comunidade internacional e reforça o papel estratégico do país nas negociações climáticas globais, especialmente às vésperas da COP30, que será sediada em Belém (PA) em 2026.

Ainda assim, o país continua entre os seis maiores emissores do mundo, atrás de China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Indonésia.

🔎 O que vem pela frente

O governo federal anunciou que, até o final de 2025, pretende:

  • Lançar um novo plano nacional de descarbonização;

  • Estimular a economia verde, com incentivos a biocombustíveis e transporte elétrico;

  • Ampliar a recuperação de áreas degradadas, especialmente na Amazônia Legal;

  • Criar um sistema nacional de créditos de carbono regulamentado.

Essas medidas são consideradas essenciais para colocar o país de volta no caminho do cumprimento das metas climáticas de 2030.

🌱 Um alerta e uma oportunidade

Os dados do Observatório do Clima deixam claro que o Brasil tem capacidade técnica e ambiental para liderar a transição verde global, mas o sucesso depende de continuidade política, governança transparente e envolvimento social.

“A boa notícia é que o país mostrou que pode reverter a curva de emissões. A má notícia é que não pode parar por aqui”, resume Brunno Lemos, repórter da Rádio Domm.

 


 

Rádio Domm — informação que inspira, conecta e transforma.
🎙️ Reportagem especial de Brunno Lemos – Correspondente de Meio Ambiente

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