Príncipe Harry e Meghan retornam ao Reino Unido seis anos após deixarem a vida real
Duque e duquesa de Sussex chegaram à Inglaterra com Archie e Lilibet para uma permanência prolongada. Filhos começarão a estudar no país, enquanto segurança, aproximação com o rei Charles e a relação com William voltam ao centro das atenções.
Por Brunno Lemos | Rádio Domm
Uma das decisões mais surpreendentes dos últimos anos envolvendo a Família Real britânica acaba de se concretizar. Príncipe Harry e Meghan Markle estão novamente vivendo no Reino Unido, seis anos depois de deixarem o país e se estabelecerem na Califórnia, nos Estados Unidos.
O duque e a duquesa de Sussex chegaram à Inglaterra na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, acompanhados dos filhos, príncipe Archie, de 7 anos, e princesa Lilibet, de 5. A família desembarcou no Aeroporto de Birmingham após viajar da Califórnia.
A mudança abre um novo capítulo na conturbada relação dos Sussex com o Reino Unido e acontece depois de anos marcados pelo afastamento da monarquia, disputas sobre segurança e fortes tensões familiares.
Não é apenas uma visita
O principal ponto da notícia é que Harry e Meghan não retornaram simplesmente para cumprir uma agenda de compromissos.
Fontes ouvidas por diferentes veículos descrevem a mudança como uma “permanência prolongada” no Reino Unido. O período exato, entretanto, ainda não foi divulgado.
A família deverá viver em uma residência privada e não pertencente à Família Real, fora de Londres. O endereço está sendo mantido em sigilo.
Harry e Meghan também não anunciaram que estão abandonando definitivamente os Estados Unidos. Segundo informações publicadas pelo Guardian, o casal pretende manter suas propriedades em Montecito, na Califórnia, e em Portugal.
Por isso, neste momento, é mais preciso falar em uma nova base ou permanência prolongada no Reino Unido do que em uma mudança definitivamente permanente.
Archie e Lilibet vão estudar no Reino Unido
Talvez o sinal mais concreto de que o retorno vai muito além de uma temporada de férias esteja nos filhos do casal.
Archie e Lilibet já estão matriculados para estudar no Reino Unido e devem iniciar as aulas em setembro.
O nome da escola não foi oficialmente divulgado, principalmente por questões de segurança e privacidade das crianças.
A Vanity Fair publicou, citando fontes, que as crianças frequentarão uma escola preparatória na região de Cotswolds, próxima à nova residência da família. Essa localização, porém, não foi confirmada oficialmente pelos Sussex.
Para Harry, a mudança também oferece aos filhos a possibilidade de crescerem mais próximos de suas raízes britânicas e da família do pai.
Uma aproximação com o rei Charles III
O retorno acontece em um momento de sinais de melhora na relação entre Harry e seu pai, o rei Charles III.
Em julho, Harry, Meghan, Archie e Lilibet visitaram Charles em Highgrove, residência privada do rei em Gloucestershire. Segundo a BBC, foi a primeira vez em mais de quatro anos que o monarca encontrou pessoalmente os netos.
A visita foi tratada pelo Palácio como uma ocasião familiar privada.
A BBC informou que Charles recebeu positivamente a perspectiva de ter Harry, Meghan e principalmente os netos mais próximos, embora o rei só tenha sido informado posteriormente sobre os planos de mudança.
A Associated Press também destaca que a relação entre pai e filho parece ter melhorado nos últimos meses. Charles continua em tratamento contra uma forma de câncer diagnosticada em 2024.
Para Harry, que já declarou publicamente desejar uma reconciliação com a família, a proximidade geográfica pode criar oportunidades que eram muito mais difíceis enquanto vivia a milhares de quilômetros de distância.
E William?
Se existem sinais de aproximação entre Harry e Charles, a situação envolvendo o príncipe William permanece muito mais delicada.
A relação entre os irmãos continua marcada por anos de afastamento.
Fontes ouvidas pela Vanity Fair afirmam que William demonstrou preocupação com o impacto do retorno dos Sussex e quer garantias de que a mudança não significará uma retomada das funções oficiais por Harry e Meghan.
Não há, até agora, anúncio de reconciliação entre os irmãos.
A volta de Harry à Inglaterra, entretanto, cria uma situação completamente diferente: os dois deixam de estar separados pelo Atlântico e poderão estar fisicamente muito mais próximos.
Harry e Meghan não voltarão a trabalhar para a monarquia
Apesar do retorno ao Reino Unido, uma coisa está clara:
Harry e Meghan não estão retornando como membros atuantes da Família Real.
Não existe atualmente nenhum plano para que o casal volte a representar oficialmente o rei ou retome o modelo de trabalho existente antes de 2020.
Eles continuarão como indivíduos privados.
Quando deixaram suas funções oficiais, Harry e Meghan também deixaram de receber recursos públicos destinados ao cumprimento de compromissos reais e passaram a desenvolver seus próprios projetos comerciais e profissionais.
A mudança de endereço, portanto, não representa uma reversão do chamado “Megxit”.
Segurança volta a ser um dos maiores problemas
Se a reconciliação familiar é um dos lados da história, a segurança provavelmente será um dos assuntos mais delicados deste retorno.
Desde que deixou de atuar oficialmente para a monarquia, Harry perdeu o direito automático ao nível de proteção policial que possuía anteriormente.
Ele travou uma longa disputa judicial contra as decisões sobre sua segurança e perdeu uma importante contestação no ano passado.
Na chegada da família a Birmingham, a ITV informou que não havia presença policial acompanhando os Sussex na saída do aeroporto.
E neste domingo, 30 de agosto, surgiu um novo capítulo.
Segundo o The Times, Harry escreveu à secretária do Interior britânica, Shabana Mahmood, questionando a atuação do comitê responsável por avaliar a proteção de figuras públicas. A equipe jurídica do príncipe alega que ele não teria sido devidamente informado sobre uma ameaça da Al-Qaeda em 2023. O jornal também informa que uma nova avaliação de risco está em andamento.
O governo britânico, por razões de segurança, não divulga detalhes operacionais sobre os esquemas de proteção.
Invictus Games também aproximam Harry da Inglaterra
Existe ainda uma razão profissional importante para Harry permanecer mais próximo do Reino Unido.
Birmingham receberá os Invictus Games em 2027, competição internacional criada pelo príncipe para militares e veteranos feridos ou doentes.
A realização dos Jogos deverá exigir uma presença maior de Harry no país durante os próximos meses.
O Guardian cita justamente os Invictus Games entre os fatores profissionais que podem ter tornado este momento mais favorável para a mudança.
E Meghan?
Meghan continuará desenvolvendo seus projetos profissionais independentemente da monarquia.
A expectativa é de que ela continue trabalhando com sua marca de lifestyle, As Ever, a partir do Reino Unido.
Também existem informações de que Meghan recebeu uma proposta para retornar à atuação. A ITV confirmou ter apurado a existência de uma oferta para um trabalho diante das câmeras, mas a participação ainda não foi oficialmente confirmada e nem mesmo foi divulgado se o projeto será para televisão ou cinema.
Portanto, qualquer afirmação de que Meghan “já voltou a atuar” seria prematura neste momento.
Uma decisão que surpreendeu até a Família Real
O retorno chamou atenção também pela forma como aconteceu.
A BBC informou que o rei Charles foi avisado sobre a decisão apenas poucos dias antes de a notícia se tornar pública. Harry, Meghan e os filhos haviam visitado Charles em julho, mas, segundo a emissora, os planos de mudança não foram discutidos naquele encontro.
O príncipe e a princesa de Gales também foram informados.
A decisão surpreendeu observadores da monarquia justamente porque, durante anos, Harry deixou claro seu desconforto em levar Meghan e os filhos ao Reino Unido sem considerar resolvida a questão da segurança.
Agora, alguma coisa mudou.
Os detalhes dessa mudança de posição ainda não foram totalmente explicados publicamente pelo casal.
Seis anos depois do “Megxit”
O retorno tem um peso simbólico enorme.
Em 2020, Harry e Meghan decidiram deixar suas funções como membros seniores da Família Real. Depois de uma passagem pelo Canadá, estabeleceram residência em Montecito, na Califórnia.
Nos anos seguintes vieram a entrevista com Oprah Winfrey, produções para a Netflix, o livro autobiográfico Spare e uma série de declarações que expuseram publicamente conflitos dentro da Família Real.
Harry também intensificou críticas à imprensa britânica e travou diferentes batalhas judiciais no Reino Unido.
Por isso, imaginar Harry, Meghan e os filhos novamente estabelecendo uma vida familiar na Inglaterra parecia, até pouco tempo atrás, improvável.
Um novo capítulo para Harry, Meghan e a monarquia
Ainda existem muitas perguntas sem resposta.
Não sabemos por quanto tempo exatamente os Sussex permanecerão no Reino Unido. Não sabemos se a proximidade ajudará Harry e William a reconstruírem sua relação. E a questão da segurança continua longe de estar completamente resolvida.
Mas existem fatos concretos.
Harry e Meghan estão novamente no Reino Unido. Archie e Lilibet vão estudar no país. A família terá uma residência privada. Charles terá a possibilidade de conviver mais com os netos. E Harry estará muito mais próximo dos preparativos para os Invictus Games de Birmingham.
Ao mesmo tempo, o casal continuará fora da estrutura oficial da monarquia.
Talvez essa seja justamente a maior diferença entre a Inglaterra que Harry deixou em 2020 e aquela para a qual retorna agora.
Ele volta para casa, mas não volta para a antiga vida real.
Se essa nova configuração será capaz de aproximar uma família dividida ou abrir um novo capítulo de conflitos, os próximos meses começarão a responder.
Por Brunno Lemos
Rádio Domm — A rádio brasileira na Inglaterra



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