Viva o Samba Lisboa: dos quintais de Suzano ao encontro com Ivete Sangalo em Portugal
Criado em Lisboa em 2015, o coletivo une raízes familiares, tradição brasileira e encontros entre culturas. Em 2026, celebrou 11 anos e participou do Ivete Clareou em Cascais.
Por Brunno Lemos | Rádio Domm
No dia 5 de setembro de 2026, o Viva o Samba Lisboa participou do Ivete Clareou, em Cascais, Portugal. O encontro com Ivete Sangalo marcou mais um capítulo de uma trajetória que começou em rodas familiares no Brasil e ganhou novos caminhos do outro lado do Atlântico.
Mais do que levar um repertório brasileiro aos palcos portugueses, o coletivo construiu espaços de convivência em torno da música. Na roda, músicos, moradores e visitantes se encontram para cantar, dançar e compartilhar referências culturais.
Uma história que começou em família
As raízes dessa trajetória estão em Suzano, na região metropolitana de São Paulo. Segundo reportagem do Público publicada em dezembro de 2024, familiares dos músicos já faziam samba em 1992, no projeto Os Meninos do Samba. Baldes e latas serviam de instrumentos nos primeiros encontros.
A presença da avó na escola de samba União da Vila e a convivência com parentes músicos ajudaram a aproximar as crianças do ritmo. Ainda segundo a reportagem, o tio Nivaldo se mudou para Portugal em 2002 e, inicialmente, encontrou no forró uma forma de continuar fazendo música. A história do Viva o Samba Lisboa se insere nessa trajetória familiar de música e migração.
Lisboa ganha uma roda de samba
Fundado em janeiro de 2015, no Bairro Alto, o Viva o Samba Lisboa teve como fundadores os irmãos Cícero Mateus e Betinho Mateus. A proposta era reunir familiares, amigos e público ao redor de uma roda de samba e promover a cultura musical brasileira em Portugal.
O projeto passou por espaços como a Associação Arte Pura, o Tacão Grande e a Arte Casa Bica, até consolidar suas rodas no Titanic Sur Mer, no Cais do Sodré. Os encontros aos domingos se tornaram parte da trajetória do coletivo, aproximando brasileiros, portugueses e visitantes de outras nacionalidades.
A presença de músicos portugueses, como a cantora Madalena Gomes, também fez parte desse percurso. A roda se tornou um lugar de diálogo entre experiências e repertórios.
Tradição com diferentes sonoridades
Embora o samba esteja no centro do projeto, os arranjos abrem espaço para outras combinações. Reportagem do Artéria, publicada em 2022, destaca instrumentos como saxofone e violino e uma abordagem que amplia a sonoridade da roda.
A percussão e os instrumentos de cordas convivem com diferentes timbres. Esse diálogo permite preservar referências da tradição brasileira e, ao mesmo tempo, construir uma identidade musical ligada às experiências dos integrantes em Portugal.
Dos encontros semanais aos grandes palcos
Em 2021, o Viva o Samba Lisboa se apresentou no Coliseu dos Recreios. Sua trajetória também inclui participações no Super Bock em Stock, no Festival Imigrarte e em eventos fora de Portugal, como o festival de samba de Coburg, na Alemanha.
Conforme o histórico divulgado à imprensa em 2023, o coletivo passou ainda por eventos na Espanha e realizou apresentações na Suíça. Em Lisboa, ajudou a movimentar a cena cultural por meio da criação e coordenação de iniciativas como o Lisbloco e o Festival Viva o Samba Lisboa.
Ao longo do percurso, suas rodas receberam artistas brasileiros e portugueses, entre eles Carminho, Mariza, Ana Moura, Vanessa da Mata e Mart’nália, segundo esse mesmo histórico.
O encontro entre samba e música portuguesa
Um dos registros desse diálogo é Castelo de São Jorge. Lançada em 2023, a composição de Daniel Souto contou com a participação do cantor português António Zambujo e com a guitarra portuguesa de Pedro de Castro.
O videoclipe foi gravado na tradicional casa de fado Mesa de Frades e em outras locações de Lisboa. A canção aproxima as referências brasileiras dos músicos da cidade onde construíram o projeto, tanto no arranjo quanto nos lugares citados na letra.
O percurso nas plataformas digitais inclui também Fonte Que Não Seca, de 2020, Dora Dora Linda, divulgada em 2023, e Não É Pro Bico De Qualquer Malandro, lançado em setembro de 2025.
Onze anos de encontros em Portugal
Em fevereiro de 2026, o Viva o Samba celebrou 11 anos no Lat.A, em Lisboa. Em setembro, além da participação no Ivete Clareou, o coletivo integrou a programação da Festa na Praça, na Praça do Comércio.
Dos instrumentos improvisados na infância aos palcos portugueses, a trajetória mantém no centro a roda de samba como espaço de convivência, memória e criação. É nesse encontro entre histórias familiares, migração e música que o Viva o Samba Lisboa continua construindo seu caminho.
Cícero e Betinho no Ivete Clareou
Minutos antes da apresentação com Ivete Sangalo no Ivete Clareou, em Cascais, Portugal, Cícero Mateus e Betinho Mateus, do Viva o Samba Lisboa, conversaram com Brunno Lemos, da Rádio Domm.
▶ Assista à entrevista no InstagramFontes de apuração
- Público — história familiar e trajetória em Portugal (2024)
- Revista BICA — percurso das rodas e encontros musicais
- Mega Samba Sesimbra — histórico do projeto
- Artéria — Já nasceu a Lisboa do samba (2022)
- EBC Rádios — entrevista com Cícero Mateus (2023)
- Correio do Povo — lançamento e histórico de apresentações (2023)
- Paulo Navarro — divulgação de Dora Dora Linda (2023)
- Spotify — Fonte Que Não Seca e Amazon Music — Não É Pro Bico De Qualquer Malandro
- LeBillet — programação do aniversário de 11 anos
- Billboard Brasil — Ivete Clareou em Portugal (2026)
- Lisboa Cultura — Festa na Praça (2026)


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